Como a indústria de alimentos tem se adaptado ao novo contexto?

Por Izabella Melo, da GEPEA e Augusto Terra da Food Ventures

Como vimos no texto sobre Tecnologias e novidades no contexto pandêmico atual da série: Adaptações do mercado perante a crise do COVID-19 desse mês, muitas mudanças já estavam ocorrendo no mercado de alimentos.

Porém, essa necessidade se tornou ainda mais alarmante devido ao  novo contexto. E isto é válido também para a indústria, não sendo mais uma questão tendências, mas sim, de uma nova realidade que chegou.

No texto de hoje, vamos entender como a crise atual pandêmica afetou a indústria de alimentos e como ela está lidando com isso frente aos novos desafios. 

Aproveite a leitura!

Não deixe de ler: “Os impactos do COVID-19 no setor de alimentação

A indústria e o fornecimento de alimentos seguros 

Como exemplo de uma das indústrias mais empregadoras do ramo de transformação do Brasil, atualmente, a indústria de alimentos enfrenta desafios com os novos hábitos. Isso porque é um dos pontos de maior aglomeração de pessoas e com uma longa cadeia de produção. 

Dessa forma, são exigidos maiores cuidados por estar diretamente relacionada ao alimento que chega nas casas dos consumidores.

Com esse cenário, ela sente a necessidade de fornecer alimentos  mais seguros, sendo importante contar com uma cadeia integrada e capaz de suportar as transformações necessárias.

Em vista disso, as organizações industriais têm como prioridade a produção e fornecimento de alimentos de consumo doméstico que atendam à essa mudança. Envolvendo o tipo de produto como também sua quantidade e qualidade.

Os impactos econômicos 

Porém, os impactos para indústria não são resumidos em  cuidados com a cadeia de produção, uma vez que englobam também as questões comerciais com outros países.

Como reflexo, portos ao redor do mundo, como na China, foram fechados causando atrasos no transporte marítimo de rotas internacionais. Isso dificultou, por exemplo, o comércio de produtos como a proteína animal.

No Brasil, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) afirma que, com o fechamento de grandes plantas de abate do país, juntamente com a baixa de estoques, resultou em uma alta de 3,45% no preço do frango vivo no mercado de referência (SP) no tempo de uma em uma semana. 

Enquanto isso, a CNA afirma que “os valores de exportação em 2020, por tonelada de carne, estão 17,8% superiores ao mesmo período de 2019”. O que já muda para a receita cambial nas exportações de frutas frescas que tiveram queda de 15% no primeiro quadrimestre de 2020 em relação ao mesmo período de 2019.

As mudanças no padrão de consumo 

Com os impactos econômicos, as empresas estão relatando várias mudanças na dinâmica de vendas durante o período de quarentena. Indicando que os consumidores estão sendo mais cautelosos ao fazer suas compras buscando por  produtos básicos e com alternativas acessíveis.

Um bom exemplo é a industria de laticinios, as quais tiveram um aumento nas vendas dos produtos básicos, como mussarela e leite UHT. E nas linhas de produtos mais caras, como iogurtes, sobremesas e queijos importados, as vendas caíram significativamente neste período,  segundo levantamentos do BeefPoint

Além disso, com a queda do movimento do mercado de food service, segundo a Rabobank, as indústrias serão afetadas com a redução de 70% a 90% do fornecimento de seus produtos aos estabelecimentos. 

Mudança de mindset 

Cuidados na produção

Como plano de gerenciamento de crises, o setor de  alimentos deve incorporar ações efetivas para evitar a disseminação de outros agentes infecciosos. Sendo que a  maioria delas já está nos seus planos de boas práticas de fabricação, de modo a reforçar todas as práticas de higienização em seus processos.

Com isso, a ANVISA lançou uma nota, que recomenda que todas as empresas da área de alimentos implementem medidas a fim de garantir que  exigências já constantes na legislação sanitária de Boas Práticas sejam cumpridas com máximo rigor.

Valorização da marca

A fim de garantir sua presença no mercado, sem que ela seja comprometida com a queda das vendas de seus principais produtos, devido a seletividade nas compras dos consumidores, empresas como AmbevJBS,  iFood  e Mc Donald´s deram o exemplo de atitudes para contribuir com a sociedade frente à pandemia.

Desta forma, além de contribuir ao momento, a valorização de suas marcas cresceu de modo que essas empresas estão bem colocadas às impressões do consumidor. 

Que outras mudanças você percebeu? Qual será a dimensão dessas transformações para os mercados futuros? Esse padrão de consumo tende a se manter pós pandemia? 


Durante o mês de maio, em parceria com a GEPEA, começaremos uma série sobre “Adaptações que o mercado perante a crise do COVID-19” e, toda semana, vamos apresentar mais sobre essas adaptações.

Texto: Izabella Melo da GEPEA

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s